Bichectomia: indicações, limites e riscos

Blog Juliana Salles4 min de leitura

A bichectomia envolve a remoção de parte da gordura bucal e pode modificar o contorno de determinadas bochechas. A indicação depende de avaliação individual e expectativas realistas. É uma cirurgia com riscos, incluindo sangramento, infecção, assimetria e lesão de estruturas próximas. As evidências disponíveis têm limitações, especialmente sobre resultados de longo prazo, e não justificam promessas universais. [1][2][3]

O que está sendo considerado ao falar em bichectomia

A intervenção busca alterar uma região do contorno das bochechas. A ASPS ressalta que a decisão é individual e deve partir do desejo da própria pessoa, sem atender à expectativa de terceiros ou a uma imagem ideal. Ter o rosto arredondado, por si só, não define a indicação. [1]

Ao chegar à consulta, descreva o que incomoda e pergunte qual mudança seria plausível no seu caso. Fotografias de outras pessoas podem despertar uma preferência, mas não definem sua indicação. O objetivo da conversa é entender se o benefício esperado compensa as limitações e os riscos que você aceita assumir, sem obrigação de optar pela cirurgia.

Quem precisa de uma avaliação especialmente cuidadosa

A ASPS destaca saúde física, peso estável, ausência de tabagismo e expectativas realistas na seleção. Esses fatores devem ser considerados com o exame e os objetivos: uma lista na internet não substitui a decisão clínica individual. [1]

A finalidade descrita é modificar localmente as bochechas, sem objetivo de controle do peso. Não procure bichectomia para emagrecer. Pergunte sobre o alcance real da intervenção. [1]

Riscos precisam ser discutidos antes da decisão

A ASPS lista sangramento, hematoma, infecção, assimetria, dor persistente e alterações de sensibilidade entre os riscos possíveis. Também há risco de lesão de ducto salivar e de ramos do nervo facial, com fraqueza temporária ou permanente em músculos da face. O resultado estético pode ser discreto ou diferente do esperado e, em algumas situações, exigir nova avaliação cirúrgica. [2]

Uma revisão sistemática publicada em 2025 identificou diferentes eventos pós-operatórios, como inchaço, limitação da abertura da boca, dor e assimetria. Os estudos apresentaram grande heterogeneidade, isto é, diferenças importantes entre seus resultados. Essa variabilidade impede transformar uma taxa agregada em previsão pessoal ou tratar toda alteração registrada como uma complicação de igual gravidade. [4]

O que a pesquisa permite afirmar sobre os resultados

Uma revisão de 2021 encontrou resultados estéticos iniciais favoráveis nos estudos incluídos, mas apontou evidência escassa, problemas metodológicos e falta de seguimento prolongado. Isso exige separar satisfação relatada em um grupo estudado de garantia para qualquer pessoa. Um resultado observado após poucos meses não descreve, sozinho, o comportamento do rosto ao longo dos anos. [3]

A revisão de 2025 também recomendou cautela diante das complicações e da falta de previsibilidade nos trabalhos avaliados. O conjunto dessas pesquisas não sustenta afirmar que todos terão envelhecimento precoce, nem assegurar ausência de consequências futuras. As incertezas precisam entrar na conversa com o mesmo espaço reservado às possíveis vantagens estéticas. [3][4]

Organize as perguntas antes de concordar

Pergunte qual é a justificativa da indicação, o que será possível perceber e quais limites permanecem. A ASPS recomenda discutir diretamente os riscos e possíveis complicações antes do consentimento. Inclua também dúvidas sobre o que ocorrerá se houver mudança menor do que a esperada ou insatisfação com o resultado. [2]

Peça que sejam esclarecidos recuperação, retornos, contato para intercorrências e situações em que será necessário procurar atendimento. Leve tempo para pensar se as respostas correspondem às suas prioridades. Com a Dra. Juliana Salles, a conversa sobre bichectomia começa pela avaliação individual; o contato do site permite solicitar esse atendimento no Centro do Rio de Janeiro.

Perguntas frequentes

Bichectomia é uma forma de emagrecer?

A finalidade descrita pela ASPS é modificar o contorno localizado das bochechas. A seleção considera, inclusive, peso estável; a proposta não deve ser entendida como tratamento para redução do peso corporal. [1]

O resultado futuro é totalmente previsível?

Não. A revisão de 2021 apontou falta de dados de longo prazo, e a de 2025 encontrou diferenças importantes entre estudos. Essas limitações devem ser explicadas antes de qualquer decisão. [3][4]

A cirurgia pode afetar estruturas além da gordura?

Existe risco de lesão de ductos salivares e de ramos do nervo facial, além de outros eventos cirúrgicos. A possibilidade e as consequências dessas complicações devem ser discutidas individualmente. [2]

Fontes consultadas

  1. ASPS — Buccal Fat Removal Candidates
  2. ASPS — Buccal Fat Removal Risks and Safety
  3. Traboulsi-Garet e colaboradores — Buccal fat pad excision for cheek refinement: A systematic review (2021)
  4. Albuquerque e colaboradores — Prevalence of complications of buccal fat removal: A systematic review and meta-analysis (2025)

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